Encontrar a "Alma Gémea", no entanto, é difícil. Em primeiro lugar, porque consideramos que encontrar a tal pessoa especial é um objectivo a cumprir. Daqueles que se colam na agenda, como a inscrição no ginásio ou passar mais tempo a fazer o que nos dá prazer. Em segundo, porque geralmente pocuramos no sítio errado! Procuramo-la no exterior. Fora de nós. Como referiu Heidegger, a resolução da maior parte dos problemas do Eu passa por conseguirmos "demorar-nos junto do que está perto e meditarmos sobre o que está mais próximo: aquilo que respeita a cada um de nós, aqui e agora".
Ao contrário, estamos em permanência a considerar que tudo o que necessitamos nos é dado pelo Mundo à nossa volta. Pelas pessoas que nos rodeiam, a Religião, o Estado, a Sociedade. Vemos o mundo como se tivesse sido desenhado para nós e temos muito pouca flexibilidade para vê-lo ao contrário: não como tendo sido feito para nós, mas a ser feito por nós. Esta é uma das principais razões pelas quais andamos em permanência a considerar o Mundo como injusto, como lugar onde não somos compreendidos, onde não nos conseguimos realizar, onde não somos amados nem desejados. O local onde sofremos sem razão e onde procuramos resposta para a velha questão: "que mal fiz a Deus?"
Esta é também a razão pela qual devemos virar ao contrário a procura da tal "Alma Gémea". Na concepção Existencial do Ser Humano, esta pessoa não deve procurar-se. Porque o Eu Existencialista é um Eu com sigularidades próprias, com angústias e alegrias próprias, com objectivos próprios, com uma forma própria de sentir, diferente de Outros. Quer isto
dizer que partir à procura do nosso Eu gémeo poderá ser uma procura vã, porque não existe um eu feito à nossa medida exacta. Esta pessoa não se encontra lá fora. Devemos, sim, procurá-lo dentro de nós. Mais: devemos construí-la. Como? Começando por Si. Mime-se. Tire esse ar de solidão. Ou, se por acaso for o contrário, esqueça o seu ar de el matador. Os seres especiais gostam de pessoas reais. Daquelas que marcam pela sua simplicidade, pela sua capacidade de escutar e de ajuda, pela sua empatia, pelo seu sorriso que passa dos lábios e chega aos olhos.
Por isso, no seu dia-a-dia, identifique os aspectos que poderão contribuir para elevar a sua auto-estima. Para se sentir melhor consigo próprio. Mesmo que muitas vezes lhe pareça que para elevar a sua auto-estima tem de colocar em causa a felicidade ou o bem-estar dos outros, acredite que nada retira mais bem-estar aos outros que a incapacidade de gostarmos de nós mesmos. De mostrar aos outros exactamente o que desejamos, ao invés de pensar que são eles que, se nos amam, têm a obrigação de descobrir o que nos faz felizes.
Já viu quantos mal-entendidos criamos ao deixarmos aos outros a responsabilidade de tentarem adivinhar o que nos faz falta? Quando muitas vezes somos nós mesmos que não o sabemos? Como exercício deste mês, tente responder às seguintes perguntas: o que me faz falta verdadeiramente? E, que pessoas especiais desejo encontrar? Quando tiver respondido a estas duas questões, verifique se aquilo, que lhe faz falta e a pessoa que deseja encontrar não existem já... talvez em si.
Caso sinta que não, não hesite. Peça ajuda! Há milhares de formas de chegarmos a nós. A mais rápida começa por não ficarmos parados. Por isso, faça-se um favor, ponha a sua vida a mexer!
Texto por: Teresa Marta, retirado da revista Saber Viver, nº 117
Foto por: CarlinhaFernandes
Ao contrário, estamos em permanência a considerar que tudo o que necessitamos nos é dado pelo Mundo à nossa volta. Pelas pessoas que nos rodeiam, a Religião, o Estado, a Sociedade. Vemos o mundo como se tivesse sido desenhado para nós e temos muito pouca flexibilidade para vê-lo ao contrário: não como tendo sido feito para nós, mas a ser feito por nós. Esta é uma das principais razões pelas quais andamos em permanência a considerar o Mundo como injusto, como lugar onde não somos compreendidos, onde não nos conseguimos realizar, onde não somos amados nem desejados. O local onde sofremos sem razão e onde procuramos resposta para a velha questão: "que mal fiz a Deus?"
Esta é também a razão pela qual devemos virar ao contrário a procura da tal "Alma Gémea". Na concepção Existencial do Ser Humano, esta pessoa não deve procurar-se. Porque o Eu Existencialista é um Eu com sigularidades próprias, com angústias e alegrias próprias, com objectivos próprios, com uma forma própria de sentir, diferente de Outros. Quer isto
dizer que partir à procura do nosso Eu gémeo poderá ser uma procura vã, porque não existe um eu feito à nossa medida exacta. Esta pessoa não se encontra lá fora. Devemos, sim, procurá-lo dentro de nós. Mais: devemos construí-la. Como? Começando por Si. Mime-se. Tire esse ar de solidão. Ou, se por acaso for o contrário, esqueça o seu ar de el matador. Os seres especiais gostam de pessoas reais. Daquelas que marcam pela sua simplicidade, pela sua capacidade de escutar e de ajuda, pela sua empatia, pelo seu sorriso que passa dos lábios e chega aos olhos.
Por isso, no seu dia-a-dia, identifique os aspectos que poderão contribuir para elevar a sua auto-estima. Para se sentir melhor consigo próprio. Mesmo que muitas vezes lhe pareça que para elevar a sua auto-estima tem de colocar em causa a felicidade ou o bem-estar dos outros, acredite que nada retira mais bem-estar aos outros que a incapacidade de gostarmos de nós mesmos. De mostrar aos outros exactamente o que desejamos, ao invés de pensar que são eles que, se nos amam, têm a obrigação de descobrir o que nos faz felizes.
Já viu quantos mal-entendidos criamos ao deixarmos aos outros a responsabilidade de tentarem adivinhar o que nos faz falta? Quando muitas vezes somos nós mesmos que não o sabemos? Como exercício deste mês, tente responder às seguintes perguntas: o que me faz falta verdadeiramente? E, que pessoas especiais desejo encontrar? Quando tiver respondido a estas duas questões, verifique se aquilo, que lhe faz falta e a pessoa que deseja encontrar não existem já... talvez em si.
Caso sinta que não, não hesite. Peça ajuda! Há milhares de formas de chegarmos a nós. A mais rápida começa por não ficarmos parados. Por isso, faça-se um favor, ponha a sua vida a mexer!
Texto por: Teresa Marta, retirado da revista Saber Viver, nº 117
Foto por: CarlinhaFernandes
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